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quinta-feira, 20 de março de 2014

Cinemaninho – 12 homens e uma sentença

           Por Elton "Smaug" R. Vieira


Todo mundo tem um objetivo na vida. Pelo menos, todo mundo deveria ter um objetivo na vida. O meu, desde que abracei a docência, é espalhar cultura para vocês. Todo o tipo de cultura. Cultura acadêmica, cultura escolar, cultura social, cultura nerd, cultura pop, cultura esportiva.

Não à toa, minha principal seção aqui nessa humilde residência nesse blog é o “Card Game Também é Cultura”. Mas aqui, no “Cinemaninho” vou começar a puxar filmes clássicos e ápices da 7ª Arte, com o intuito de criar uma audiência culturalmente rica (até porque “monetariamente rica” está difícil).


Assim, vamos discutir uma obra que é considerada um marco do cinema. Uma obra prima, que conta a história de um homem que também tem um objetivo na vida. Qual objetivo? Fazer o que é certo. Então vamos falar de DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA (12 Angry Men, 1957).

Sim, o filme é antigo assim!
Com os efeitos especiais atuais, é possível fazer personagens atuarem em grandes paisagens, impossíveis cenários. Criar mundos que tenham suas próprias regras. Nos meados do século passado havia filmes que, apesar da falta de tecnologia, construíam mundos para serem explorados. A imaginação é o limite da criação.

Mas não era isso que o roteirista Reginald Rose (2002) queria. Ele escreveu um filme sobre as relações humanas que se passa praticamente TODO em uma sala fechada.

Nessa sala!

O filme começa com um julgamento de um rapaz que foi acusado de assassinar o pai e está sendo sentenciado à cadeira elétrica. Terminada as sessões de ataque e defesa, os 12 jurados vão para uma sala deliberar sobre o caso e entrar em consenso para dar um único veredicto: culpado ou inocente. Seria uma decisão fácil, pois todos estavam mais do que propensos em acreditar na culpa do jovem. Seria. Mas as coisas complicam quando o Jurado Nº 8 (Henry Fonda) questiona a falta de provas para incriminar o rapaz.

A partir daí DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA só cresce. Os conflitos de personalidade, origem e cultura afloram a medida que o Jurado Nº8 vai listando seus argumentos contra a culpa do réu. Os jurados não têm nomes, o que ajuda na construção dos estereótipos que bem que poderiam ser você ou eu. Há 12 personalidades diferentes, comportamentos diferentes. E tudo isso é explorado com maestria pelo diretor Sidney Lumet (Redes de Intrigas, Antes que o diabo saiba que você está morto).

Henry Fonda e um dos seus personagens mais marcantes.

Os diálogos afiados e inteligentes permitem  facilmente fazer uma ligação com o que acontece hoje em dia. A rapidez que nós julgamos alguém sem nem mesmo buscar os fatos. A pressa em sentenciar uma pessoa sem sabermos o contexto. Em DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA o palco de discussão é uma sala fechada. Hoje o palco são as redes sociais, abertas ao público, tornando mais desastrosa ainda o julgamento rápido. 

Para dar a progressiva sensação de claustrofobia, Lumet vai utilizando mais closes e posicionamento de câmera ao decorrer do filme e assim aumentando a sensação. O calor é tratado quase como um personagem da trama. 

O elenco também é ponto forte do filme. Henry Fonda faz de seu Jurado Nº8 um questionador educado, mas feroz. Carrega toda trama com sua busca por justiça. Mas o destaque é mesmo de Lee J. Cobb e seu Jurado Nº3. Antagonista do filme, atuação forte e inspirada. 

O diretor chegou a deixar os atores presos por horas na sala, antes de gravar, para deixa-los no mesmo estado de espírito dos seus papéis.

Acho que nosso jurado 3 tem alguma coisa pra dizer...

Considerado um dos melhores filmes de tribunal já realizados, em seu filme de estreia, Lumet já demonstra sua imensa habilidade de explorar os dramas humanos, as relações interpessoais, a dificuldade de comunicação do ser humano, a incompreensão e o egoísmo.

Clássico inquestionável. Filme obrigatório para todo mundo que gosta de cinema. Provando que para fazer um bom filme é preciso apenas uma boa ideia, uma câmera e um cenário.

That’s all folks.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Cinemaninho - Dallas Buyers Club

          Por Erton "Falcor" Vieira


Essa temporada de premiações cinematográficas é bem legal. Somos bombardeados por informações de filmes excelentes que, provavelmente, nunca nos importaríamos de ver. O que é uma pena, pois, se eles estão sendo indicados aos prêmios é porque são bons (ou seus produtores tem muito dinheiro)...

Mas esse ano alguns filmes se destacaram mais que os outros. “Gravidade” (o qual já falei por aqui), “12 Anos de Escravidão” e “O Lobo de Wall Street” formaram o trio arrasa quarteirão. A ~galere toda queria prêmios para o filme do Alfonso Cuarón, do Steve McQueen  e do Martin Scorcese, todos merecedores claro.

Indicados ao Oscar de melhor filme de 2014

Porém um filme se destacou, não por sua estória, mas por suas atuações. Dallas Buyers Club é o filme que deu a estatueta dourada do Oscar para Matthew McConaughey como Melhor Ator e para Jared Leto como Melhor Ator Coadjuvante. Contudo é uma pena o filme ser tratado como um filme de atuações, pois seu roteiro é magnífico e conta uma estória que precisa ser vista.

Por isso hoje, aqui no Dracômico, vamos falar de “Dallas Buyers Club”
   
Banner do filme.


O ano é 1986. Imagine um cara machão, cowboy, “comedor”, ser diagnosticado com uma doença que na época era conhecida como uma doença de homossexuais. Essa é a história de Dallas Buyers Club, filme que conta a história de Ron Woodroof, um eletricista que descobre ter AIDS em uma das épocas mais obscuras da doença.

Quando Ron descobre que está com a doença seus médicos o dão, no máximo, 30 dias de vida, e aí é ponto de virada na vida do Ron, e onde o filme começa a mostrar porque foi um dos queridinhos dos críticos de cinema. A partir desse momento o cowboy tem que superar vários de seus obstáculos. Claro que a doença é uma delas, mas não é a única barreira que o personagem vivido por Matthew McConaughey, o cowboy tem que superar seu próprio preconceito com os homossexuais, o distanciamento com os seus antigos amigos e com as leis de distribuição de remédios dos EUA da década de 80.

McConaughey e Leto.


Para driblar as leis de distribuição de remédios e o loob pelo uso do AZT (na época ainda muito tóxico), Woodroof criou uma operação de tráfico de medicamentos alternativos, que na época eram ilegais. Já para superar as barreiras do seu preconceito a ajuda veio do travesti Rayon interpretado pelo Jared Leto. A evolução da amizade entre os dois portadores do HIV é construída de maneira suave, de início existe o preconceito, depois aceitação e a parceria nos negócios, e então uma amizade mais forte que as que Ron tinha no início de sua jornada.

Falar da atuação dos dois protagonistas é chover no molhado. Ambos foram ganhadores do Oscar por suas incríveis interpretações. Matthew McConaughey a muito tempo vem se destacando em papeis sérios, de profundidade, e o seu Ron Woodroof foi uma amostra de como um ator pode se transformar e conquistar seu público. Jared Leto a muito tempo deixou de ser apenas o vocalista do “30 Second to Mars” e entrou para o hall dos atores que mergulham em seus personagens. Podemos ver isso quando ele interpretou Mark Chapman em “Capítulo 27 - O Assassinato de John Lennon” e agora com seu Rayon. Sua interpretação do travesti foi um dos pontos altos do cinema nesse ano que passou.

Jared Leto rouba a cena toda vez que aparece...


E o elenco de apoio não comprometeu e até surpreendeu, veja só. A senhora Batfleck, Jennifer Garner, faz uma atuação segura como a médica do Ron e do Rayon, Dr. Eve Saks. Ela deu o equilíbrio nas atuações dos protagonistas e deixou tudo bem nivelado. Uma bela surpresa vinda da mulher que fez Elektra.

Dallas Buyers Club é bem mais que um filme sobre um portador do HIV que seu tornar traficante. Esse é um filme que disserta sobre superar as barreiras que a vida, e que você mesmo, se impõe. Em alguns momentos você pode até fraquejar, e tentar desistir, como o personagem Ron pensou em fazer. Mas como o cowboy diz mais de uma vez na película “a vida é muito curta” para ficar empacado em obstáculos que você pode, e deve, superar.

Um filme que deve ser visto por todos, não só pelas atuações do McConaughey e do Leto, mas pela mensagem que ele transmite.


Recomendo!!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Cinemaninho - O Dia Em Que A Terra Parou


            Por Elton "Smaug" R. Vieira


Olá amiguinhos.

Temos medo do desconhecido, isso é fato. Se não conhecemos a coisa, não chegamos perto. O famoso “ter medo do escuro” nada mais é do que temer o desconhecido. Sabendo disso, imaginem o seguinte cenário:

Você tá relaxando em casa. Talvez até lendo um blog chamado Dracômico. De repente, ouve na sua televisão a chamada do “Plantão da Globo”. Ao ouvir a música demoníaca, tu já se pergunta quem terá morrido. Então Willian Bonner, com uma cara muito séria diz:

"- Hoje, dia 27 de fevereiro de 2014, uma nave alienígena aterrissou em Washington D.C. Não é nenhuma brincadeira ou experiência humana. Hoje foi o dia em que respondemos uma das perguntas mais misteriosas da história. Sim, existe vida inteligente fora do planeta Terra."

Qual seria sua reação? Voltaria a relaxar ou entraria em pânico esperando o fim do mundo? Certamente, o planeta viveria um caos. E essa é a premissa de um dos melhores filmes já produzidos pelo ser humano e um marco para a ficção científica e cultura pop: O Dia em que a Terra parou (The Day the Earth Stood Stil, 1951).



Lançado em 1951, no começo da Guerra Fria, O Dia em que a Terra parou carrega uma mensagem muito relevante à época. O filme começa, assim como citei acima, com uma nave espacial aterrissando nos gramados da capital norte-americana. Na nave estavam Klaatu (Michael Reenie), o alienígena piloto, e Gort, um robô gigante. Eles trazem um ultimato para os líderes da Terra, ou param com as guerras e a corrida armamentista, ou vai dar ruim. Os outros planetas não estavam gostando dessa hostilidade toda vinda daquele pequeno ponto azul.

O belíssimo poster do filme.

Logo no desembarque, para mostrar como somos bons anfitriões, Klaatu é baleado. Levado a um hospital ele se recupera, mas sua súplica de encontro com os líderes mundiais não são aceitas. Assim ele decide fugir do hospital, se disfarçar como humano e para conhecer melhor a nossa espécie.

Será que existem bondade e sensatez na Terra? E se soubéssemos que é um estranho a nós que está procurando, ainda sim seríamos simpático com ele? Essas questões ainda são bem atuais, vindo de um filme da década de 50.

Mas a mensagem maior do filme é o desarmamento e a busca pela paz. Por mais que o Klaatu tente convencer os humanos que violência não leva a nada, essa mensagem é ignorada. Quando ele usa um pouco mais de força para tentar nos convencer, é tratado como um inimigo. Quantas pessoas que você conhece não agem assim ao receber conselhos? Sejam dos pais, amigos, irmãos, etc.?

Quem nunca ouviu o famoso "klatu barada nikto" ?


O clímax do filme mostra a frustração do alienígena, que não sabe se todo o seu esforço para transmitir essa mensagem foi realmente captada, e a frustração de nós humanos, diante da incapacidade de lidar com poderes muito maior que o nosso. Isso tudo muito bem conduzido pelo roteiro dirigido por Robert Wise (A Noviça Rebelde, O Segredo de Andrômeda), baseado no livro Firewall to the Master do escritor Harry Bates.

Mas saibam, o filme é de 1951, o ritmo utilizado no cinema era outro. Alguns podem achar que o filme é lento. Mas ainda sim vale a pena ser assistido.

Cheia de metáforas e aplicabilidade, O Dia em que a Terra parou ainda alimentou muito a cultura pop. A frase “Klaatu barada nicto” está na lista das mais célebres do cinema, sendo utilizadas em diversas outras obras. O robô Gort é um dos robôs mais famosos da cultura pop, usado como referência até na música. Ou de onde vocês acham que o Daft Punk tiraram aquelas máscaras?

Depois que percebemos, é até óbvia a homenagem...


Em 2008, saiu um remake do filme, com o Keanu Reeves dando vida ao Klaatu. Apesar da atualização do roteiro, utilizando o apelo ecológico, o original ainda se mostra superior, graças a suas camadas de profundidade, pouco explorada na nova versão.

Então galera, façam um favor a si mesmos, corram atrás dessa obra-prima e assistam. E com um pouco de esforço você irá mergulhar nessa estória profunda e, ainda, altamente relevante.

See ya. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cinemaninho - Rush - No Limite da Emoção

             Por Erton "Falcor" Vieira



Eu tinha um ritual na infância no dia de domingo.  Logo de manhã minha mãe levava eu e meus irmãos para a missa, quando acabava a missa íamos tomar café da manhã na casa da nossa avó e, de quinze em quinze dias, corríamos para frente da TV para ver as corridas de Fórmula 1. Era o máximo ver aquelas corridas. Alta velocidade, diferentes países. Era como dar a volta ao mundo.

Domingo sim, domingo não...

Tínhamos nosso herói na F1 e ele atendia pelo nome de Ayrton Senna. Eu era muito novo para lembrar dos primeiros campeonatos que ele ganhou. Mas assisti a corrida antológica que ele ganhou no Brasil, Interlagos. Aquilo foi fascinante! Esse mundo da Fórmula 1 sempre me apeteceu.

Depois que o Senna morreu (eu lembro bem, pois estava assistindo a fatídica corrida) e cresci um pouco, comecei a me interessar pela história da F1. Como surgiu o circo da F1, os pilotos da velha guarda, os grandes campeões, as grandes rivalidades. Cara...  São histórias fantásticas.

E como sempre fui apaixonado por cinema, sentia falta de um filme que espelhasse o glamour e o perigo, os pilotos e suas rivalidades, e tudo que envolve esse esporte. Tive que esperar muito tempo, mas finalmente um filme conseguiu mostrar o espirito de como é a F1. E com um bônus, contando a história de uma das rivalidades mais marcantes da história da competição.  Estou falando de “Rush – No limite da Emoção”.

Os elogios aí não são a toa...

 O filme de 2013, dirigido por Ron Howard (Uma Mente Brilhante, Frost/Nixon ), se passa nos anos 70, uma época em que pelo menos um piloto morria em acidentes fatais por temporada. Esse mundo de perigo, sexo e glamour era polarizado pela rivalidade de dois grandes pilotos com personalidades distintas: Niki Lauda (Daniel Brühl), metódico e brilhante, e James Hunt (Chris Hemsworth), playboy e arrojado.  Essa rivalidade teve seu ápice na temporada de 1976 onde ambos os pilotos assumiram vários riscos dentro do seu cockpit para que pudessem se sagrar campeão da temporada.

Durante todo o filme é retratado como os pilotos da F1 daquela época aceitavam correr no limite, com pouca segurança, só apoiados por suas habilidades. A escalada da rivalidade entre Lauda e Hunt é mostrada desde o início de suas carreiras até o final daquela temporada memorável de 1976. E podemos ver como cada piloto lidava com seu nervosismo de encarar cada corrida. Alguns mais friamente, como o Lauda, outros mais emocionalmente, como o Hunt. 

Grandes pilotos. Grandes interpretações...


O filme em si é muito bem levado pelas mãos habilidosas do Ron Howard.  Ele conseguiu dar aquela sensação de insegurança e velocidade que a F1 apresentava no passado. E todo o circo em volta da competição também foi bem retratado, principalmente com a ajuda da música do sempre fenomenal Hans Zimmer. Chris Hemsworth consegue convencer como James Hunt, não é uma atuação que fuja do normal, mas dá para perceber que ele é um ator que, nas mãos certas, pode render bastante.  Mas quem roubou mesmo a cena foi Daniel Brühl. Sua caracterização como Niki Lauda está perfeita. Toda a rigidez que Lauda imprimia na sua pilotagem e em suas entrevistas, Daniel conseguiu trazer para a tela.

Os donos do filme: Hemsworth, Brühl , McLaren e Ferrari.

A química dos dois, Hemsworth e Brühl é de se destacar. E você só vai ficando mais ansioso quando percebe que o clímax do filme está se aproximando. Porque, meus amigos,  como eu disse, nessa época o perigo era constante e as vezes alguém pagava o preço de desafia-lo.

Pra quem não curte Fórmula 1 é uma excelente história a ser contada sobre esses dois pilotos. Pra quem curte F1 é uma ode a dois dos melhores. Um filmaço!!  É um filme que pede por uma continuação, contando a história dos vários embates épicos ocorridos na história dessa fascinante categoria. E quem sabe, um dia, não posso ver na telona aquela antológica corrida que o Senna ganhou aqui no Brasil, com apenas três marchas do carro funcionando. 







quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Cinemaninho - Círculo de Fogo

               Por Elton "Smaug" R. Vieira



Todos aqueles que frequentam cinema sabem que existem vários tipos de filmes. Não estou falando do gênero, mas de uma classificação ainda mais genérica. Alguns exemplos são: Filmes cabeças (aqueles em que os telespectadores têm que pensar e entender a profundidade da parada); filmes de casal (aqueles filmes que você leva o cônjuge ou pretendente para assistir). E existem aqueles filmes que você tem que desligar o cérebro para assistir. Não importa o primor técnico ou trama do filme, o que importa é o entretenimento no sentido mais puro da palavra. E, amigos, Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013) é divertido pra burro.

Ops, filme errado....

Agora sim.

A trama do filme se passa em um futuro próximo onde a Terra é atacada por monstros colossais vindos de outra dimensão. E o único modo da humanidade sobreviver é construindo robôs humanoides guerreiros gigantes pilotados por pessoas. Robôs esses que receberam o nome de Jeager. E são eles que caem na pancadaria com os monstros, a.k.a. Kaijus. 

Mas por que construir robôs humanoides guerreiros gigantes? Por que não? Poderiam ter construindo uma arma teleguiada de precisão? Claro que poderiam. Mas pilotar robôs gigantes é muito mais legal! Haja vista os Power Rangers que não me deixam mentir.  

Aliás, o diretor Guillermo del Toro (Hellboy e O Labirinto do Fauno) é fã assumido dos tokusatsu ( filmes ou séries live-action de super-heróis produzidos no Japão com bastante ênfase nos “efeitos especiais”) e da cultura japonesa. Tanto que Círculo de Fogo é uma ode a obras como Godzilla, Jaspion, Ultraman, Changeman e afins. Além de claras referências a mangás e animes, como Gundam e Evangelion. Ou seja, todo mundo que, como eu, cresceu assistindo a TV Manchete na década de 90 vai se deliciar a cada segundo desse filme. 

Girando em torno dos pilotos dessas máquinas colossais, o roteiro de Círculo de Fogo não exige muito do telespectador. As atuações da dupla de protagonista – Charlie Hunnam e Rinko Kikushi – são ok. Os coadjuvantes também não comprometem o filme. E ainda tem o Idris Elba, mostrando como podemos endurecer sem perder a ternura, como o ex-piloto e atual marechal Staker Pentecost (que nome foda!). Mas del Toro deixa claro que são as cenas de ação que devem brilhar em cena. Afinal, são os Jeagers as estrelas do filme. Cada robô gigante tem personalidade distinta. O Striker Eureka é o rápido, o Crimson Typhoon possui três braços, o Chemo Alpha é uma muralha que anda e o Gipsy Danger é o mais versátil. Ver eles na tela do cinema é uma coisa linda. 

Importância dos personagens humanos em uma imagem!


Existe outro elemento do filme que o faz entrar no hall de melhores filmes da história universal do cinema: a trilha sonora. Recomendo todos à ouvir. A música que Ramin Djawadi (Homem de Ferro, Fúria de Titãs) faz para o filme é uma das mais empolgantes das últimas décadas. Carrega toda a emoção e grandiosidade que a trama exige.

Como eu já disse, antes de ver o filme desligue o cérebro. Não importa se as leis da física/biologia foram jogadas ao mar pelos roteiristas. Você não vai assistir ao filme para isso. Você vai assistir ao filme porque está querendo folia, festa e alegria. Tudo que robôs gigantes podem proporcionar. 



E se tivesse que definir Círculo de Fogo em uma palavra, seria DIVERSÃO. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Cinemaninho - Gravidade

     Por Erton "Falcor" Vieira




“Uau!! Que filme!! Que metáforas!! 
Foi pra fazer filmes como esse que o cinema foi criado!”

     Essa foi minha primeira reação depois que assistir a “Gravidade” filme dirigido e produzido por Alfonso Cuarón (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) que tem no elenco basicamente George Clooney e a Sandra Bullock. 


E os dois seguram o filme sozinhos com maestria.


    Sandra Bullock  a um tempo já tem se destacado como uma ótima atriz para personagens marcantes, vide “Blind Side” pelo qual ganhou o Oscar. Porém em Gravidade ela vai ao extremo em atuação. Ela domina a tela o filme inteiro e o faz com maestria. 

     A produção desse filme durou alguns anos (para uma duração relativamente pequena para os filmes atuais, 1h30m de filme) e foram anos muito bem gastos, porque, essa é uma obra que deve ser comentada nos próximos 100, 200, 500 anos.

     A premissa do filme é bem básica. Sandra Bullock faz  Dra. Ryan Stone que está em sua primeira missão espacial para reparar o telescópio Hubble ao lado do veterano piloto Matt Kowalsky (George Clooney). É quando um desastre acontece e os dois se veem a deriva no espaço, sem comunicação com a terra, e o único som que eles ouvem é a voz do outro. 

Sandra Bullock em um dos personagens que irão marcar sua carreira.


     E aí que Gravidade mostra a que veio. Aqueles momentos de tensão quando o desastre acontece é impactante, mas aqueles primeiros vinte minutos são só para preparar o campo para as metáforas sobre a vida, o universo e tudo o mais. (desculpa, não resisti ;P)

     Se você for levar pro lado científico, Alfonso Cuarón teve um enorme respeito ao que realmente aconteceria no espaço. Como eu disse antes, foram anos de produção do filme, e os aspectos científicos foram muito bem abordados no drama. O som não se propaga no espaço, mas a música (magnífica!!) compensa. O fogo funciona daquele jeito no espaço. É plenamente verossímil a EEI se destroçar daquela forma. Tirando, claro, algumas licenças poéticas, cientificamente o filme é impressionante. Mas não é no ponto de vista científico  que o filme cresce. São as metáforas a alma de Gravidade.

     Gravidade, em sua essência, é uma metáfora para o nascimento e as fases da vida.

     Quando a Dra. Ryan vai se perdendo em meio as estrelas, já se transformando em uma só com o universo, e vem a voz Kowalsky dando esperança novamente pra ela, nos faz refletir quantas vezes a gente está meio perdido, quase como se fizesse parte apenas do cenário de fundo e vem aquele solavanco pra te dar esperança?! Pra te fazer acordar?!

    Antes desse acontecimento, a personagem da Bullock era uma pessoa que não tinha muito o porquê viver (existe um motivo muito forte para a personagem ser assim). E os acontecimentos que veem se sucedendo no roteiro primoroso do Cuarón, vem trazendo novamente a vontade de viver para a Dra. Ryan. Ironicamente no momento em que as chances dela de viver são quase nulas e que ela tem que lutar com todas as forças para conseguir a sua nova vida. 

Um dos momentos mais lindos de Gravidade.


     Gravidade te mostra, através de suas metáforas que, mesmo que nós decidamos viver em total plenitude, vão surgir dificuldades de todos os lados, de todos os tipos, não vai ser fácil. NÓS temos que fazer por onde. Mesmo com nossas limitações, fazer o possível com o que temos em mãos.

     Nós somos falhos. Podemos nos acomodar com o que é “inevitável”. Com o que é mais seguro. Ou podemos lidar da melhor forma possível com nossas falhas e partir pra luta sem medo de apanhar.

    Gravidade é um filme poderoso. Com mensagens que falam a qualquer um, em qualquer lugar, pois todos nós passamos por dificuldades. E um filme conseguir comunicar com tanta gente assim e ainda ter uma produção tão competente tem que se destacar, e, merecidamente, concorrer aos vários prêmios que ele está concorrendo. Só posso bater palmas.

     Eu recomendo Gravidade e suas metáforas. A viagem ao espaço (e ao interior da alma) vai valer a pena.