quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Cinemaninho - Gravidade

     Por Erton "Falcor" Vieira




“Uau!! Que filme!! Que metáforas!! 
Foi pra fazer filmes como esse que o cinema foi criado!”

     Essa foi minha primeira reação depois que assistir a “Gravidade” filme dirigido e produzido por Alfonso Cuarón (Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) que tem no elenco basicamente George Clooney e a Sandra Bullock. 


E os dois seguram o filme sozinhos com maestria.


    Sandra Bullock  a um tempo já tem se destacado como uma ótima atriz para personagens marcantes, vide “Blind Side” pelo qual ganhou o Oscar. Porém em Gravidade ela vai ao extremo em atuação. Ela domina a tela o filme inteiro e o faz com maestria. 

     A produção desse filme durou alguns anos (para uma duração relativamente pequena para os filmes atuais, 1h30m de filme) e foram anos muito bem gastos, porque, essa é uma obra que deve ser comentada nos próximos 100, 200, 500 anos.

     A premissa do filme é bem básica. Sandra Bullock faz  Dra. Ryan Stone que está em sua primeira missão espacial para reparar o telescópio Hubble ao lado do veterano piloto Matt Kowalsky (George Clooney). É quando um desastre acontece e os dois se veem a deriva no espaço, sem comunicação com a terra, e o único som que eles ouvem é a voz do outro. 

Sandra Bullock em um dos personagens que irão marcar sua carreira.


     E aí que Gravidade mostra a que veio. Aqueles momentos de tensão quando o desastre acontece é impactante, mas aqueles primeiros vinte minutos são só para preparar o campo para as metáforas sobre a vida, o universo e tudo o mais. (desculpa, não resisti ;P)

     Se você for levar pro lado científico, Alfonso Cuarón teve um enorme respeito ao que realmente aconteceria no espaço. Como eu disse antes, foram anos de produção do filme, e os aspectos científicos foram muito bem abordados no drama. O som não se propaga no espaço, mas a música (magnífica!!) compensa. O fogo funciona daquele jeito no espaço. É plenamente verossímil a EEI se destroçar daquela forma. Tirando, claro, algumas licenças poéticas, cientificamente o filme é impressionante. Mas não é no ponto de vista científico  que o filme cresce. São as metáforas a alma de Gravidade.

     Gravidade, em sua essência, é uma metáfora para o nascimento e as fases da vida.

     Quando a Dra. Ryan vai se perdendo em meio as estrelas, já se transformando em uma só com o universo, e vem a voz Kowalsky dando esperança novamente pra ela, nos faz refletir quantas vezes a gente está meio perdido, quase como se fizesse parte apenas do cenário de fundo e vem aquele solavanco pra te dar esperança?! Pra te fazer acordar?!

    Antes desse acontecimento, a personagem da Bullock era uma pessoa que não tinha muito o porquê viver (existe um motivo muito forte para a personagem ser assim). E os acontecimentos que veem se sucedendo no roteiro primoroso do Cuarón, vem trazendo novamente a vontade de viver para a Dra. Ryan. Ironicamente no momento em que as chances dela de viver são quase nulas e que ela tem que lutar com todas as forças para conseguir a sua nova vida. 

Um dos momentos mais lindos de Gravidade.


     Gravidade te mostra, através de suas metáforas que, mesmo que nós decidamos viver em total plenitude, vão surgir dificuldades de todos os lados, de todos os tipos, não vai ser fácil. NÓS temos que fazer por onde. Mesmo com nossas limitações, fazer o possível com o que temos em mãos.

     Nós somos falhos. Podemos nos acomodar com o que é “inevitável”. Com o que é mais seguro. Ou podemos lidar da melhor forma possível com nossas falhas e partir pra luta sem medo de apanhar.

    Gravidade é um filme poderoso. Com mensagens que falam a qualquer um, em qualquer lugar, pois todos nós passamos por dificuldades. E um filme conseguir comunicar com tanta gente assim e ainda ter uma produção tão competente tem que se destacar, e, merecidamente, concorrer aos vários prêmios que ele está concorrendo. Só posso bater palmas.

     Eu recomendo Gravidade e suas metáforas. A viagem ao espaço (e ao interior da alma) vai valer a pena.

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