quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Cinemaninho - O Dia Em Que A Terra Parou


            Por Elton "Smaug" R. Vieira


Olá amiguinhos.

Temos medo do desconhecido, isso é fato. Se não conhecemos a coisa, não chegamos perto. O famoso “ter medo do escuro” nada mais é do que temer o desconhecido. Sabendo disso, imaginem o seguinte cenário:

Você tá relaxando em casa. Talvez até lendo um blog chamado Dracômico. De repente, ouve na sua televisão a chamada do “Plantão da Globo”. Ao ouvir a música demoníaca, tu já se pergunta quem terá morrido. Então Willian Bonner, com uma cara muito séria diz:

"- Hoje, dia 27 de fevereiro de 2014, uma nave alienígena aterrissou em Washington D.C. Não é nenhuma brincadeira ou experiência humana. Hoje foi o dia em que respondemos uma das perguntas mais misteriosas da história. Sim, existe vida inteligente fora do planeta Terra."

Qual seria sua reação? Voltaria a relaxar ou entraria em pânico esperando o fim do mundo? Certamente, o planeta viveria um caos. E essa é a premissa de um dos melhores filmes já produzidos pelo ser humano e um marco para a ficção científica e cultura pop: O Dia em que a Terra parou (The Day the Earth Stood Stil, 1951).



Lançado em 1951, no começo da Guerra Fria, O Dia em que a Terra parou carrega uma mensagem muito relevante à época. O filme começa, assim como citei acima, com uma nave espacial aterrissando nos gramados da capital norte-americana. Na nave estavam Klaatu (Michael Reenie), o alienígena piloto, e Gort, um robô gigante. Eles trazem um ultimato para os líderes da Terra, ou param com as guerras e a corrida armamentista, ou vai dar ruim. Os outros planetas não estavam gostando dessa hostilidade toda vinda daquele pequeno ponto azul.

O belíssimo poster do filme.

Logo no desembarque, para mostrar como somos bons anfitriões, Klaatu é baleado. Levado a um hospital ele se recupera, mas sua súplica de encontro com os líderes mundiais não são aceitas. Assim ele decide fugir do hospital, se disfarçar como humano e para conhecer melhor a nossa espécie.

Será que existem bondade e sensatez na Terra? E se soubéssemos que é um estranho a nós que está procurando, ainda sim seríamos simpático com ele? Essas questões ainda são bem atuais, vindo de um filme da década de 50.

Mas a mensagem maior do filme é o desarmamento e a busca pela paz. Por mais que o Klaatu tente convencer os humanos que violência não leva a nada, essa mensagem é ignorada. Quando ele usa um pouco mais de força para tentar nos convencer, é tratado como um inimigo. Quantas pessoas que você conhece não agem assim ao receber conselhos? Sejam dos pais, amigos, irmãos, etc.?

Quem nunca ouviu o famoso "klatu barada nikto" ?


O clímax do filme mostra a frustração do alienígena, que não sabe se todo o seu esforço para transmitir essa mensagem foi realmente captada, e a frustração de nós humanos, diante da incapacidade de lidar com poderes muito maior que o nosso. Isso tudo muito bem conduzido pelo roteiro dirigido por Robert Wise (A Noviça Rebelde, O Segredo de Andrômeda), baseado no livro Firewall to the Master do escritor Harry Bates.

Mas saibam, o filme é de 1951, o ritmo utilizado no cinema era outro. Alguns podem achar que o filme é lento. Mas ainda sim vale a pena ser assistido.

Cheia de metáforas e aplicabilidade, O Dia em que a Terra parou ainda alimentou muito a cultura pop. A frase “Klaatu barada nicto” está na lista das mais célebres do cinema, sendo utilizadas em diversas outras obras. O robô Gort é um dos robôs mais famosos da cultura pop, usado como referência até na música. Ou de onde vocês acham que o Daft Punk tiraram aquelas máscaras?

Depois que percebemos, é até óbvia a homenagem...


Em 2008, saiu um remake do filme, com o Keanu Reeves dando vida ao Klaatu. Apesar da atualização do roteiro, utilizando o apelo ecológico, o original ainda se mostra superior, graças a suas camadas de profundidade, pouco explorada na nova versão.

Então galera, façam um favor a si mesmos, corram atrás dessa obra-prima e assistam. E com um pouco de esforço você irá mergulhar nessa estória profunda e, ainda, altamente relevante.

See ya. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário