Por Erton "Falcor" Vieira
Eu tinha um ritual na infância no dia de domingo. Logo de manhã minha mãe levava eu e meus
irmãos para a missa, quando acabava a missa íamos tomar café da manhã na casa
da nossa avó e, de quinze em quinze dias, corríamos para frente da TV para ver
as corridas de Fórmula 1. Era o máximo ver aquelas corridas. Alta velocidade,
diferentes países. Era como dar a volta ao mundo.
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| Domingo sim, domingo não... |
Tínhamos nosso herói na F1 e ele atendia pelo nome de Ayrton
Senna. Eu era muito novo para lembrar dos primeiros campeonatos que ele ganhou.
Mas assisti a corrida antológica que ele ganhou no Brasil, Interlagos. Aquilo
foi fascinante! Esse mundo da Fórmula 1 sempre me apeteceu.
Depois que o Senna morreu (eu lembro bem, pois estava
assistindo a fatídica corrida) e cresci um pouco, comecei a me interessar pela
história da F1. Como surgiu o circo da F1, os pilotos da velha guarda, os
grandes campeões, as grandes rivalidades. Cara... São histórias fantásticas.
E como sempre fui apaixonado por cinema, sentia falta de um
filme que espelhasse o glamour e o perigo, os pilotos e suas rivalidades, e
tudo que envolve esse esporte. Tive que esperar muito tempo, mas finalmente um
filme conseguiu mostrar o espirito de como é a F1. E com um bônus, contando a
história de uma das rivalidades mais marcantes da história da competição. Estou falando de “Rush – No limite da
Emoção”.
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| Os elogios aí não são a toa... |
Durante todo o filme é retratado como os pilotos da F1
daquela época aceitavam correr no limite, com pouca segurança, só apoiados por
suas habilidades. A escalada da rivalidade entre Lauda e Hunt é mostrada desde
o início de suas carreiras até o final daquela temporada memorável de 1976. E
podemos ver como cada piloto lidava com seu nervosismo de encarar cada corrida.
Alguns mais friamente, como o Lauda, outros mais emocionalmente, como o Hunt.
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| Grandes pilotos. Grandes interpretações... |
O filme em si é muito bem levado pelas mãos habilidosas do
Ron Howard. Ele conseguiu dar aquela
sensação de insegurança e velocidade que a F1 apresentava no passado. E todo o
circo em volta da competição também foi bem retratado, principalmente com a
ajuda da música do sempre fenomenal Hans Zimmer. Chris Hemsworth consegue
convencer como James Hunt, não é uma atuação que fuja do normal, mas dá para
perceber que ele é um ator que, nas mãos certas, pode render bastante. Mas quem roubou mesmo a cena foi Daniel Brühl.
Sua caracterização como Niki Lauda está perfeita. Toda a rigidez que Lauda
imprimia na sua pilotagem e em suas entrevistas, Daniel conseguiu trazer para a
tela.
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| Os donos do filme: Hemsworth, Brühl , McLaren e Ferrari. |
A química dos dois, Hemsworth e Brühl é de se destacar. E
você só vai ficando mais ansioso quando percebe que o clímax do filme está se
aproximando. Porque, meus amigos, como
eu disse, nessa época o perigo era constante e as vezes alguém pagava o preço
de desafia-lo.
Pra quem não curte Fórmula 1 é uma excelente história a ser
contada sobre esses dois pilotos. Pra quem curte F1 é uma ode a dois dos
melhores. Um filmaço!! É um filme que
pede por uma continuação, contando a história dos vários embates épicos
ocorridos na história dessa fascinante categoria. E quem sabe, um dia, não
posso ver na telona aquela antológica corrida que o Senna ganhou aqui no
Brasil, com apenas três marchas do carro funcionando.





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