quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cinemaninho - Rush - No Limite da Emoção

             Por Erton "Falcor" Vieira



Eu tinha um ritual na infância no dia de domingo.  Logo de manhã minha mãe levava eu e meus irmãos para a missa, quando acabava a missa íamos tomar café da manhã na casa da nossa avó e, de quinze em quinze dias, corríamos para frente da TV para ver as corridas de Fórmula 1. Era o máximo ver aquelas corridas. Alta velocidade, diferentes países. Era como dar a volta ao mundo.

Domingo sim, domingo não...

Tínhamos nosso herói na F1 e ele atendia pelo nome de Ayrton Senna. Eu era muito novo para lembrar dos primeiros campeonatos que ele ganhou. Mas assisti a corrida antológica que ele ganhou no Brasil, Interlagos. Aquilo foi fascinante! Esse mundo da Fórmula 1 sempre me apeteceu.

Depois que o Senna morreu (eu lembro bem, pois estava assistindo a fatídica corrida) e cresci um pouco, comecei a me interessar pela história da F1. Como surgiu o circo da F1, os pilotos da velha guarda, os grandes campeões, as grandes rivalidades. Cara...  São histórias fantásticas.

E como sempre fui apaixonado por cinema, sentia falta de um filme que espelhasse o glamour e o perigo, os pilotos e suas rivalidades, e tudo que envolve esse esporte. Tive que esperar muito tempo, mas finalmente um filme conseguiu mostrar o espirito de como é a F1. E com um bônus, contando a história de uma das rivalidades mais marcantes da história da competição.  Estou falando de “Rush – No limite da Emoção”.

Os elogios aí não são a toa...

 O filme de 2013, dirigido por Ron Howard (Uma Mente Brilhante, Frost/Nixon ), se passa nos anos 70, uma época em que pelo menos um piloto morria em acidentes fatais por temporada. Esse mundo de perigo, sexo e glamour era polarizado pela rivalidade de dois grandes pilotos com personalidades distintas: Niki Lauda (Daniel Brühl), metódico e brilhante, e James Hunt (Chris Hemsworth), playboy e arrojado.  Essa rivalidade teve seu ápice na temporada de 1976 onde ambos os pilotos assumiram vários riscos dentro do seu cockpit para que pudessem se sagrar campeão da temporada.

Durante todo o filme é retratado como os pilotos da F1 daquela época aceitavam correr no limite, com pouca segurança, só apoiados por suas habilidades. A escalada da rivalidade entre Lauda e Hunt é mostrada desde o início de suas carreiras até o final daquela temporada memorável de 1976. E podemos ver como cada piloto lidava com seu nervosismo de encarar cada corrida. Alguns mais friamente, como o Lauda, outros mais emocionalmente, como o Hunt. 

Grandes pilotos. Grandes interpretações...


O filme em si é muito bem levado pelas mãos habilidosas do Ron Howard.  Ele conseguiu dar aquela sensação de insegurança e velocidade que a F1 apresentava no passado. E todo o circo em volta da competição também foi bem retratado, principalmente com a ajuda da música do sempre fenomenal Hans Zimmer. Chris Hemsworth consegue convencer como James Hunt, não é uma atuação que fuja do normal, mas dá para perceber que ele é um ator que, nas mãos certas, pode render bastante.  Mas quem roubou mesmo a cena foi Daniel Brühl. Sua caracterização como Niki Lauda está perfeita. Toda a rigidez que Lauda imprimia na sua pilotagem e em suas entrevistas, Daniel conseguiu trazer para a tela.

Os donos do filme: Hemsworth, Brühl , McLaren e Ferrari.

A química dos dois, Hemsworth e Brühl é de se destacar. E você só vai ficando mais ansioso quando percebe que o clímax do filme está se aproximando. Porque, meus amigos,  como eu disse, nessa época o perigo era constante e as vezes alguém pagava o preço de desafia-lo.

Pra quem não curte Fórmula 1 é uma excelente história a ser contada sobre esses dois pilotos. Pra quem curte F1 é uma ode a dois dos melhores. Um filmaço!!  É um filme que pede por uma continuação, contando a história dos vários embates épicos ocorridos na história dessa fascinante categoria. E quem sabe, um dia, não posso ver na telona aquela antológica corrida que o Senna ganhou aqui no Brasil, com apenas três marchas do carro funcionando. 







Nenhum comentário:

Postar um comentário