Por Erton "Falcor" Vieira
Poucos autores conseguem ser bons em tudo.
Alguns são bons escritores e só. Não que isso seja um
demérito. Bons escritores são difíceis de achar. Existem aqueles que além de
bons escritores são bons roteiristas. Esses já são um pouco mais difíceis de
achar. Existem aqueles que além de serem bons escritores, roteiristas, são bons
diretores e produtores. Estes aqui são peças raras, são valiosos para a
indústria do entretenimento, coloco aqui nessa posição o George R.R. Martin e Frank
Miller.
Porém, meus amigos, existe uma casta acima das que citei
anteriormente. E por ser tão superior eu nomeio com o nome do único membro.
Existem os autores bons, os autores fantásticos e existem os autores “Neil
Gaiman”!!
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| Neil Gaiman, a esposa do Doutor e o Doutor. |
Neil Gaiman se aventurou em vários ramos do entretenimento e
criou (e trabalhou) com uma porção de personagens que estão no nosso
consciente. Nos livros ele escreveu livros fantásticos como “Deuses Americanos”
e “Lugar Nenhum”. Nos quadrinhos criou uma das mais importantes obras da nona
arte: “Sandman”. Na TV ele escreveu episódios de “Babylon 5” e “Doctor Who”. No
cinema ele produziu e escreveu “Coraline” e “Stardust: O Mistério da
Estrela”. Como podem ver, Neil Gaiman
está em um nível superior quando se trata de entretenimento.
Escolhido o autor. Falta escolher a obra que vou indicar
hoje para vocês. Pensei em fugir dos clássicos do Gaiman. “Sandman”, “Deuses
Americanos” são obrigatórios para quem curte... sei lá... ler...viver. Contudo
hoje vou indicar um trabalho do Gaiman um pouco mais desconhecido, apesar de
ser, como não é surpresa nenhuma, genial: “A Comédia Trágica Ou Tragédia Cômica
De Mr. Punch.”
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| Só a capa já dá calafrios... |
Essa graphic novel escrita por Gaiman e com ilustrações e
design de Dave McKean foi lançada em 1994. “É uma novela totalmente sombria e
assustadora” que evoca as lembranças da infância do narrador. Mr. Punch conta a
estória de como um garoto perdeu a inocência como resultado de confrontos com
seu passado. Isso tudo é refletido no teatro popular de fantoches que o garoto
assiste todo ano na praia em que mora seus avós.
Esse teatro de fantoches é uma tradição britânica que data
do século XVII e que permeia toda a história do garoto em suas férias com os
avós e seus encontros e desencontros com sua conturbada família e amigos.
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| Uma das partes mais leves de Mr. Punch. |
Mr. Punch é uma obra que mexe com o seu íntimo. Neil Gaiman
conseguiu escrever uma ode ao tema da perda. Sobre os traumas de passar da
infância, para a vida adulta e tudo que se perde na transição.
Essa graphic novel é densa em seus significados e nas emoções
que ela evoca dos seus leitores. E o que deixa a obra ainda mais sinistra é a
arte de Dave McKean (Arkham Asylum). Parceiro de Neil Gaiman em Sandman, Mckean
conseguiu trazer para Mr. Punch um ar de estranheza e desconforto que não deixa
o leitor sossegado. A cada página que se apresenta há um detalhe perturbador.
Tanto nas partes em que usa suas ilustrações, quanto nas partes em que usa
artifícios como colagem e fotografias, a sensação de perda é explicitada. E nas
cenas em que o teatro de bonecos aparece e, principalmente, o Mr. Punch aparece
são de dar calafrios. É fácil entender do porque da obra ser descrita como
sombria e assustadora, apesar de ser um deleite visual.
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| Não se pode negar, a graphic novel Mr Punch é linda! |
“A Comédia Trágica Ou Tragédia Cômica De Mr. Punch” é uma
graphic novel para aqueles que não têm medo de confrontar o tema “perda da
inocência”. Neil Gaiman e Dave McKean
realizaram em “Mr. Punch” uma obra que poucas vezes é vista nos quadrinhos.
Tanto no roteiro, quanto no visual, esta obra se destaca no meio de tantas
outras da nona arte. Uma obra que fala com a sua alma, sendo você de
Portsmouth, Inglaterra, ou Itambé, Brasil. Recomendadíssimo.





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